Capa do livro Ficadas & Ficantes por Angélica Lopes

Elas nunca tinham sido beijadas e aquela noite seria decisiva!

"Carol e Mariana eram as únicas garotas da turma que ainda não tinham beijado na boca.

Enquanto para Mariana, o fato não parecia ser um grande problema, Carol se sentia um bebê de berçário, ainda no gugudadá, frente às amigas com pós-graduação na movimentação de línguas.

Mari era o que se chama de BV sem ansiedade. “Quando tiver que será, será”, costumava dizer. “Imagina se vou queimar meus neurônios por causa de um beijo que eu ainda nem dei”.

Jamais treinara um beijo na boca no azulejo do banheiro, nem na laranja oca, nem fizera perguntas anatômicas para as amigas experientes, como, o que, afinal de contas, é para se fazer com os dentes.

Em comum, as duas amigas tinham apenas a incerteza de como seria e, principalmente, de com QUEM seria.

Para Carol, deixar essa a definição nas imprevisíveis mãos do acaso a fazia ter pesadelos. Nos últimos meses, já sonhara que estava beijando o garoto mais espinhento do primeiro 1 ano, o seu primo de Araraquara, e, num delírio mais heavy metal, se via agarrando o estagiário careta do escritório do seu pai.

Indícios claros de que a falta de beijo já estava afetando gravemente seu cérebro e que a advertia em letras maiúsculas:

SER BV AOS 13 ANOS NãO FAZ BEM à SAúDE.

Por isso, tinha que ser hoje."